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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Imagem de love, rain, and couple


"Sempre
 tem alguém
que é calor
nos dias frios"




(Ester Sena)

terça-feira, 20 de junho de 2017


beauty

“De agora em diante eu gostaria de me defender assim: é porque eu quero

E que isso bastasse.”


(Clarice Lispector)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Imagem de hug, war, and quote


"um abraço é bem mais revolução
que todos os canhões
do mundo
juntos."


(Ni Brisant)

terça-feira, 30 de maio de 2017

domingo, 28 de maio de 2017

quinta-feira, 25 de maio de 2017



"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. 
Todas, simples assim."




(Ana Jácomo)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Oi gente!

Pelo motivo de "falta de tempo" não publicarei mais as crônicas da Martha Medeiros aqui no blog, mas vocês poderão encontra-las na página do jornal Zero Hora - Martha Medeiros - Zero Hora e na
página Crônicas de Martha Medeiros no Facebook.

Um abraço

Lu
;)



sexta-feira, 5 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017


"É tão particular o meu encontro quando é com você
O meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar
As minhas histórias quando você para pra escutar
A minha vida quando tenho alguém pra chamar
De vida"


(Anavitória - Singular)

terça-feira, 2 de maio de 2017

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 30/04/17

Apoteótico


Nada de traje passeio ou passeio completo. Era assim mesmo que estava escrito no convite: “Dress code: apoteótico”

Recebi convite para uma festa, mas não qualquer festa. O aniversariante era um dos ícones da cena cultural brasileira e o evento prometia parar a noite de São Paulo. Me dei conta do tamanho da encrenca quando li o dress code sugerido: apoteótico. Nada de traje passeio ou passeio completo. Era assim mesmo que estava escrito no convite: Dress code: apoteótico.

Nem o descolado guia da Mauren Motta, Socorro! Com que Roupa Eu Vou? havia me preparado para esse desafio. O que seria uma roupa apoteótica? Teria que fazer uma busca no closet da Claudia Raia? Apelar para alguma rainha de bateria? Cheguei a pensar que um jeans rasgado e uma camiseta branca poderia causar um efeito triunfal às avessas, e já estava quase levando essa ideia a cabo quando minha mãe me mostrou uma foto da minha festa de 15 anos, em que aparecíamos abraçadas. Ela perguntou: o que você acha deste vestido?

Pânico. Até então sua atividade cerebral andava perfeita, como poderia ter degringolado tão rapidamente?

“Mãe, você está sugerindo que eu vá com o meu vestido de 15 anos?”

Ela: “Martha, você não guarda nem o recibo da conta de luz, acha mesmo que eu acreditaria que guarda um vestido que usou aos 15 anos? E mesmo que guardasse, ele hoje estaria completamente amarelado e com mais rombos do que esse jeans destruído que você não tira do corpo”.

Ufa. Atividade cerebral em pleno funcionamento.

“Estou perguntando sobre o meu vestido, Martha, o meu!”

Minha mãe guarda não só todos os recibos da conta de luz desde que Thomas Edison inventou a lâmpada, como tudo o que tiver valor afetivo, e pra ela tudo tem – incluindo roupas que inexplicavelmente não amarelam e não são devoradas por traças. Olhei bem dentro dos seus olhos a fim de detectar algum prenúncio de loucura, mas ela continuou me encarando como se estivesse em seu juízo perfeito.

Na festa havia mulheres deslumbrantes vestidas com muito brilho (uma inclusive com lampadinhas acesas por baixo de uma saia de tule – medo!), outras vestindo quase nada, algumas com roupas de princesa, outras fantasiadas de personagens que não conheço e adivinhe quem roubou a cena? Claudia Raia, claro. Poderosa numa túnica longa de tecido dourado reluzente e com um capuz misterioso na cabeça, de um glamour a toda prova.

Eu fui com o vestido preto que minha mãe usou na minha festa de debutante – há exatos 40 anos. Segui a tendência de Hollywood: moda sustentável, elegância vintage, espírito retrô – só a cara de pau ainda estava com a etiqueta. Apoteose? Temos.



Jornal Zero Hora - 30 abril 2017
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quarta-feira, 26 de abril de 2017


ღ #solitude #serenity:

"Meias verdades
Meias vontades
Meias saudades

Viver pela metade é ilusão
Tire suas meias
Ponha o pé no chão"




(Augusto Barros)

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 26/04/17

Oásis


Os desertos me atraem. O silêncio absoluto em meio a um universo infinito. Nenhuma ansiedade, apenas o contato profundo consigo mesmo.

Vivo no oposto de um deserto, numa urbe habitada por muita gente, sonorizada por buzinas e freadas. Uma cidade que, como outras, induz a um comportamento automático e racional: trabalhar para ganhar meu sustento, trazer comida pra casa, combater meu sedentarismo com atividades físicas, socializar com meus pares, me informar sobre o que acontece no mundo, compartilhar minha opinião nas redes sociais, cuidar da minha saúde e da minha aparência. Nada disso é um castigo, mas toma todo o meu dia e, quando dou por mim, é hora de ir para a cama e dormir.

Algumas pessoas meditam, outras rezam, outras ainda se refugiam num bom livro – as escapatórias necessárias, uma volta para dentro de si, aquele momento chamado “seu”, fundamental.

Tenho os meus, e hoje em dia eles têm acontecido com mais regularidade dentro de uma sala de cinema. Nem Netflix, nem Now, nem DVD, nada se compara ao deslocamento físico e à introspecção buscada: ainda não abro mão do ritual do ingresso, assento, luzes apagadas, foco. É onde todos os meus instintos afloram (inclusive os assassinos: se você também não suporta quem faz barulho com sacos de balas e pipocas, testemunhe a meu favor caso eu vá a julgamento).

Nesta semana, assisti a Paterson, de um dos meus cineastas prediletos, Jim Jarmusch. Nada mais precário que um resumo de filme em três linhas, mas é sobre um motorista de ônibus que todos os dias, após o trabalho, leva seu cachorro pra passear pelo mesmo trajeto, toma uma cerveja no mesmo bar e volta para os braços da sua linda e mesma esposa, dormindo o sono dos justos – entrementes, escreve poemas num caderninho.

Só isso. Tudo isso.

Por tudo, entenda-se: todo dia repetitivo é também um novo dia. É preciso delicadeza na prática de qualquer convivência. Há poesia no cotidiano. Carinho também é amor. Ninguém é igual aos outros e ninguém é muito diferente dos outros. O que nos comove está sempre no subtexto.

Paterson é um oásis neste deserto às avessas, em que vivemos em meio a muito barulho sem sentimento, muito movimento sem pausa, muita relação sem entrega. Um momento seu para extrair de dentro da alma. Esta mesma alma que me escapa agora pela ponta dos dedos.



Jornal Zero Hora - 26 abril 2017
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